Um dia, vivi sem.
Já contei fatos para alguns amigos, familiares e minha namorada… mas compartilhar isso com outras pessoas é sempre bom. Eu aprendi muito quando saí do Brasil e fui morar na Europa, mais precisamente na Espanha (Península), mais precisamente numa cidade chamada Silleda, de 8,000+ habitantes, em Galícia. Portanto, talvez você possa refletir um pouco com o que eu estou prestes a relatar.
Saí do Brasil depois de 1 semana no Rio, mais precisamente Cabo Frio, lindo lugar, lindas pessoas. Chegando em Lisboa, Portugal, tudo mais lindo ainda. Ar puro, atmosfera limpa, um céu azul como nunca vi antes. O Sol brilhava, quase me cegava, depois de quase 16 horas dentro de um avião, meus olhos agradeciam ver tanta coisa. Mais algumas horas de van, chego em Santiago de Compostela, uma das mais conhecidas cidades da província de Pontevedra, Galícia. O apartamento onde minha mãe morava era lindo, certamente tive uma passagem muito boa por ali, um nível de qualidade vida elevadíssimo em relação ao Brasil. A Espanha é um ótimo lugar pra se viver. Mas talvez não nos “pueblos”, cidadezinhas pequenas. Pessoas de costumes rústicos, reservados, e às vezes até preconceituosos pra dizer a verdade. Brasileiro não é muito bem-visto em cidades espanholas de poucos habitantes. Talvez no Reveillon, Carnaval ou Natal, onde as pessoas bebem e todos são ótimas pessoas; Talvez.
Detalhes não preciso citar, prefiro ir direto ao ponto. Meu círculo social diminuiu em 360º, não consegui fazer amigos. Até joguei num time de futebol local, mas a recepção não foi tão calorosa assim. Eu queria me involver, fazer amigos, ter uma vida normal. Não consegui. Sentia muita falta dos velhos tempos… e mais do que nunca, de falar minha língua, os palavrões, gírias e piadas internas que fazem um círculo de amizade interessante e gostoso de se vivenciar. Eu estive longe de tudo que eu sempre tive, e que, de certa forma, não dava o devido valor. Desde condimentos que no Brasil se fazem presentes na nossa mesa, até a falta de escrúpulos e a sensação de se sentir â vontade em qualquer lugar. Eu senti falta da tão pobre cultura em que eu achei ter vivido miseravelmente até então, de coisas tão mínimas que só quem já viveu uma situação parecida poderia entender perfeitamente. Mas, como tudo é uma lição a se aprender, eu aprendi que, depois daquilo, não precisaria perder mais nada pra dar valor. O nosso país tem taxas e impostos altíssimos, corrupção e sensacionalismo político, escândalos, desigualdade social e muita pobreza – mas é o nosso lar. É aqui que eu nasci, é aqui que eu vi tudo acontecer. Não foi vendo um filme de Hollywood nem comendo paella que as coisas aconteceram na minha vida; Não foi assim que eu aprendi a caminhar com as próprias pernas.
Hoje, eu respiro o ar da minha cidade com muito orgulho e consciência. Eu sinto os pássaros sobrevoarem o telhado da minha casa enquanto eu durmo, eu sinto o cheiro da grama e da terra quando chove. Aprendi a valorizar a natureza, as pessoas, principalmente meus amigos… os relacionamentos, como o meu namoro, que mesmo que recente, é uma coisa espetacular e que me faz feliz demais. Hoje eu dou valor ao meu pensamento, pois um dia vivi sem ele.

Muito bom o texto, de verdade! E como sempre dizem; “Não há lugar melhor que o nosso lar” mesmo que seja uma favela o seu país, ahhahahhahahahhah.
Abrass =*
Hugown
Janeiro 31, 2008 em 6:54 am
Eu adorei. Eu tô nesse caminho, aprendendo sem ter que perder pra valorizar. Eu gosto muito daqui, mesmo. Muito muito. Acho que seria muito difícil viver em qualquer outro lugar. Mas a vida é assim mesmo, né? Nunca sei o passo de amanhã e prefiro assim. Imagine se acordo no Japão amanhã.
Yayá
Fevereiro 5, 2008 em 3:46 pm